terça-feira, 16 de abril de 2013

Maduro revela ações de desestabilização e convoca mobilização popular na Venezuela

"Sigo propondo a paz e convoco o povo a lutar em paz, afirmou presidente eleito em coletiva no Palácio de Miraflores.


O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, denunciou nesta segunda-feira (15/04) que setores da oposição estão provocando atos de desestabilização pelo país e revelou que há mais ações planejadas. Além disso, Maduro convocou a população para "combater em paz", com "mobilizações em todo o país". Enquanto o presidente dava declarações no Palácio de Miraflores, panelaços e episódios de violência foram registrados em diferentes partes da Venezuela.

Efe
Nicolás Maduro, eleito presidente neste domingo, pediu calma: "peço a você, venezuelano, venezuelana, para que não tenha ódio"
"Eles vão convocar uma greve geral, vão tentar trancar vias principais, convocar marchas para haver feridos ou mortos. Trabalharemos corretamente com a sabedoria que nos dá nossa experiência. Eles querem incentivar o ódio nas pessoas e conseguiram em alguns setores da classe média. Vão ser derrotados da mesma forma que em 2002”, disse, em referência ao fracassado golpe de Estado contra Hugo Chávez.

Em coletiva de imprensa no Palácio de Miraflores, a primeira como presidente eleito da Venezuela, Maduro falou que “porta-vozes da direita” estão rompendo as leis da democracia com esse tipo de ação. “Estão mostrando a cara. Quando Julio Borges [deputado do Primeiro Justiça] diz que ‘chegou o momento da morte da revolução’, é um golpe de Estado", ressaltou.

“Peço a você, venezuelano, venezuelana, para que não tenha ódio. Se quer pensar de forma diferente, pense, mas vamos trabalhar pela educação dos seus filhos, nas escolas, universidades. À classe trabalhadora também faço um chamado: pela primeira vez na história dessa república há um presidente dos trabalhadores”, sublinhou.

Mobilização

Diversos atos de violência foram registrados nesta segunda-feira na Venezuela. Casas do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) nos Estados de Táchira, Barinas e Anzoátegui foram incendiadas e as sedes dos canais VTV e Telesur em Caracas foram cercadas por pessoas identificadas com camisetas de Capriles. "Sigo propondo a paz e convoco o povo a lutar em paz, a se mobilizar amanhã (terça) em todo o país pela paz, mobilizações em todo o país, e na quarta-feira", disse Maduro.

Efe
Opositores montam barricada com fogo em rua de Caracas. Ação foi repetida por áreas nobres da capital venezuelana
O presidente classificou o pedido de recontagem de todos os votos como um "capricho" da oposição. "Os caprichos da burguesia, em que parte do mundo se faz uma auditoria de 100% (...), em qual país do mundo se faz com 54%, nenhum. Aqui, nós fazemos por lei", frisou.

"Você convocou a violência às ruas e você é responsável frente ao país (...) se houver mortos ou feridos, você é responsável", disse Maduro a Capriles. O opositor convocou seus eleitores a protestar na ruas em frente às filiais regionais do CNE e, na quarta, perante sua sede em Caracas, para pressionar o governo por uma auditoria.

Integração latino-americana

Sobre o tema da integração da América Latina e Caribe, Maduro disse que ese proceso será acelerado em seu governo, por meio das relações bilaterais, trocas comerciais e a união da região. “A união mais do que a integração, a união do continente e desempenharemos o modesto papel que a história nos impõe”, anunciou.

“Aqui estamos construindo uma hegemoniía alternativa, coletiva e diversa”, disse o presidente, fazendo menção aos mecanismos de integração da região, como Alba, Unasul (União de Nações Sul-Americanas) e Celac (Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos).

Ele lembrou a participação de Chávez nos processos de integração da América Latina. “Chávez falava de uma União de Nações e Repúblicas, que era o sonho do nosso libertador Simón Bolívar”, afirmou.

FONTE: OperaMundi, Marina Terra | Enviada especial a Caracas


domingo, 14 de abril de 2013

Bancada ruralista pressiona para tirar poderes da Funai

Por Karine Melo, da Agência Brasil | Yahoo! Notícias

Deputados da bancada ruralista prometem apertar o cerco contra a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a atribuição do órgão de auxiliar na demarcação de terras indígenas no Brasil. Entre as estratégias para pressionar o governo por mudanças, integrantes da Frente Parlamentar da Agricultura dizem já ter assinaturas suficientes - mais de 180 - para protocolar um pedido de criação de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar a Funai, mas ainda não há definição sobre quando isso será feito.

Na semana passada o grupo contabilizou duas vitórias. Na primeira, conseguiu convocar a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, para prestar esclarecimentos na Comissão de Agricultura da Casa sobre as questões indígenas. A data da ida da ministra ao Congresso deve ser definida ainda esta semana pelo presidente comissão, deputado Giacobo (PR-PR).

Grosso, em 2009. …Os ruralistas conseguiram ainda, na última quarta-feira (10), o apoio que faltava para a criação de uma comissão especial para apreciar e dar parecer à Proposta de Emenda à Constituição (PEC 215/2000) que inclui, nas competências exclusivas do Congresso Nacional, a aprovação de demarcação das terras tradicionalmente ocupadas pelos índios, a titulação de terras quilombolas, a criação de unidades de conservação ambiental e a ratificação das demarcações de terras indígenas já homologadas, estabelecendo que os critérios e procedimentos de demarcação serão regulamentados por lei. A comissão foi criada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves (PMDB-RN), em retribuição ao apoio que recebeu dos ruralistas para comandar a Casa.


“Nós estamos criando uma série de injustiças para aqueles que são proprietários de terras, independentemente do tamanho. O que nos preocupa é a falta de critérios e de uma condição de defesa dentro dos processos de homologação conduzidos pelos antropólogos [da Funai]”, diz o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS) que integra a Frente Parlamentar da Agricultura.

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) reagiu à criação da comissão. Em nota divulgada no site, o Cimi repudiou a decisão. “O ato do presidente da Câmara constitui-se em um atentado à memória dos deputados Constituintes, ataca de forma vil e covarde os direitos que os povos indígenas conquistaram a custo de muito sangue e atende os interesses privados de uma minoria latifundiária historicamente privilegiada em nosso país”, diz o documento.

Procurada pela Agência Brasil, a Funai enviou nota classificando a PEC 215/00 como um retrocesso e uma ação contrária à efetivação dos direitos territoriais dos povos indígenas.

Índios xavante acompanham, em Brasília, o julgamento da terra indígena Maraiwatsede, norte do Mato
“A Funai acredita que tal medida, ao invés de contribuir para a redução dos conflitos fundiários decorrentes dos processos de demarcação de terras indígenas, ocasionará maior tensionamento nas relações entre particulares e povos indígenas, diante das inseguranças jurídicas e indefinições territoriais que irá acarretar”, alerta o documento.

Entre as preocupações da Funai está o fato de a PEC prever a criação de mais uma instância no procedimento administrativo de regularização fundiária de terras indígenas. “Isso tornará mais complexo e moroso o processo de reconhecimento dos direitos territoriais dos povos indígenas - se não significar sua paralisia -, com graves consequências para a efetivação dos demais diretos destes povos, como, por exemplo, garantia de políticas de saúde e educação diferenciadas, promoção da cidadania e da sustentabilidade econômica, proteção aos recursos naturais, entre outros.”

Esta semana a bancada ruralista na Câmara deve se reunir com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa. No encontro, os parlamentares vão pedir a conclusão do julgamento da Terra Indígena Raposa Serra do Sol – que ainda depende da publicação do acórdão do julgamento e dos embargos declaratórios a respeito das 19 condicionantes impostas pela Corte, em 2009, para que a demarcação da área fosse mantida em terras contínuas.

Depois que isso for feito, a polêmica Portaria 303 da Advocacia-Geral da União (AGU) pode entrar em vigor. A norma proíbe a ampliação de áreas indígenas já demarcadas e a venda ou arrendamento de qualquer parte desses territórios, se isso significar a restrição do pleno usufruto e da posse direta da área pelas comunidades indígenas. Ela também veda o garimpo, a mineração e o aproveitamento hídrico da terra pelos índios, além de impedir a cobrança, pela comunidade indígena, de qualquer taxa ou exigência para utilização de estradas, linhas de transmissão e outros equipamentos de serviço público que estejam dentro das áreas demarcadas.

As divergências da Frente Parlamentar da Agricultura em relação às atribuições da Funai também levaram o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a se comprometer a criar um grupo de trabalho para receber as manifestações dos deputados. Em 30 dias, representantes da Secretaria de Assuntos Legislativos da pasta, da Funai e parlamentares devem começar a discutir propostas que envolvem a demarcação e desapropriação de terras no país.

A Frente Parlamentar Ambientalista, presidida pelo deputado Sarney Filho (PV-MA), marcou uma reunião para a próxima quarta-feira (17). Na avaliação dos ambientalistas, os apoiadores da PEC 215 são motivados por “interesses pessoais e individuais contrariados”. “A PEC é um retrocesso absoluto, ela acaba com qualquer possibilidade de política indigenista e de política ambiental. Tirar a prerrogativa do Poder Executivo de criar unidade de conservação e reservas indígenas e passar para o Congresso é a mesma coisa de dizer que não vai ter mais”, disse Sarney Filho.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Nota da Presidência do PT de Ananindeua/Pa sobre os 100 dias do Governo Pioneiro (PSDB)

Google
100 dias do novo (velho) governo: nada se fez!

Ao completar 100 dias da gestão do Prefeito Manoel Pioneiro (PSDB), ninguém precisa fazer críticas e cobranças, a própria realidade social da cidade por si só demonstrar essa situação do descaso do poder publico municipal com a população (regra comum daqueles que sempre estiveram no poder em Ananindeua). Até agora nenhuma política ou lei de impacto sobre os rumos da cidade foi apresentado para resolver os inúmeros problemas da cidade como: da gestão dos transportes; do planejamento de melhoria do sistema viário (continua o caos no transito da BR 316, na Rodovia Mário Covas, das vias da Cidade Nova, do Centro de Ananindeua). A máquina administrativa das Secretarias está funcionando com 10, 20% de suas capacidades técnicas, prejudicando o atendimento dos serviços público para a população, em particular nos setores da educação e saúde. A insegurança de servidores públicos contratados, paralisa o serviço publico municipal.

Não se justifica que o Prefeito recebeu a herança do caos da cidade do governo anterior (2004/2012), já que este também recebeu a herança do governo anterior (1996/2004), portanto, os 100 dias representam os 16 anos dos mesmos governos que não tiveram a capacidade política e interesse de tirar Ananindeua - que é uma pequena metrópole -, da condição de cidade campeã nacional por internações hospitalar por diarréia; da 4° cidade mais violenta do país; de zerar e/ou diminuir o déficit de abastecimento de água e esgotamento sanitário, que não avançou em nada nestes 10 anos, continuando Ananindeua ter os mesmos índices de cobertura de abastecimento de água, com 37,5% de atendimento a população; da rede de esgoto sanitário na marca dos 1,5% e 0% em tratamento de esgoto sanitário. O problema dos resíduos sólidos (apesar ser uma questão metropolitana), só veio à tona por causa do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que o Ministério Público Estadual enquadrou no arrepio da lei as Prefeituras da Região Metropolitana (RMB) para resolverem o destino do lixo e fechar o “lixão” do Aurá até agosto de 2014 como determina a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Não se podem comemorar 100 dias de Governo com políticas paliativas: limpeza de ruas e asfaltamento de ruas, que são serviços inerentes da Prefeitura. Comemora-se 100 dias com ações impactantes como: projeto de mobilidade urbana a ser discutido com a população através de consultas populares; da revisão do Plano Diretor da Cidade (que ano completa sete anos e nunca foi efetivado na prática); o Projeto do Rio Maguariaçu que continua relegado ao abandono (obra estratégica de saneamento para melhorar os problemas das enchentes em áreas populosas do município); não temos noticias da efetivação de medidas que inibam a violência.

As “ações políticas” do novo (velho) governo não diminuíram as desigualdades sociais em Ananindeua ou contrario só aumentam. O que a população cobra os compromissos assumidos nas eleições de 2012.

Ananindeua só avançou em políticas publicas nos últimos 10 anos, graças às políticas do Governo Federal, as iniciativas de setores empresariais e comerciais e dos pequenos empreendedores (as). Os Governos Lula e Dilma, repassaram recursos para obras de infra-estrutura e saneamento superior a 300 milhões de reais do PAC (obras inacabadas por falta de gestão da Prefeitura); na assistência social o atendimento passa pela política de Transferência de Renda via a Bolsa Família com um atendimento de 38 mil famílias; na saúde a criação das UPAs 24 horas; aumento no repasse para educação que possibilitou a construção de escolas e creches; na regularização fundiária pontuais; no Programa Minha Casa Minha Vida; na ampliação e melhoramento do sistema de captação de água do Bolonha que aumentou a vazão de água para a Cidade Nova e Jaderlandia/Atalaia no Governo do PT de Ana Julia.

Portanto, os 100 primeiros dias do Governo Pioneiro se caracterizam pela inércia e por falta de um Plano de Metas pra tirar Ananindeua da realidade que se encontra.

José Oeiras
Presidente do PT de Ananindeua

Cidades do Acre declaram estado de emergência social por surto de imigração

(EFE).- O Governo do Acre declarou nesta terça-feira estado de emergência social em Epitaciolândia e Brasiléia, cidades na fronteira com a Bolívia que foram atingidas neste ano por uma avalanche incomum de imigrantes, em sua maioria haitianos, mas também dominicanos e de países africanos.


Segundo dados fornecidos à Agência Efe pela secretaria de Direitos Humanos do Acre, desde o começo deste ano chegaram a ambas as cidades cerca de 1.600 imigrantes, dos quais 60 são senegaleses, 8 dominicanos, 5 nigerianos e um bengali.

Dos imigrantes, 1.200 estão em um alojamento em Brasiléia com capacidade para 200 pessoas, no qual recebem alimentação e assistência social do governo do Acre.

"A declaração de emergência social nos permitirá redobrar a atuação nos dois municípios e obrigará a todas as instituições do estado a cooperarem em nossos esforços", disse à Agência Efe o secretário de Direitos Humanos do Acre, Nilson Mourão.

"Todas as instituições terão que atender nossas solicitações quanto a alimentos, água, colchões e assistência médica", acrescentou.

Mourão disse que a medida também procura chamar a atenção das autoridades nacionais do Brasil sobre a grave situação humanitária e sanitária gerada pela onda de imigrantes para cidades que têm entre 15 mil e 20 mil habitantes.

"O Governo federal tem que ajudar financeiramente e traçar uma política clara sobre a imigração. Há uma rota de tráfico de pessoas que chega ao Brasil e que começa a ser usada por pessoas de outros países caribenhos e africanos, e eles têm que decidir se seguiremos incentivando essa rota", afirmou.

Segundo o secretário, o Governo federal também tem que acelerar a concessão de vistos para os imigrantes que já chegaram.

"A Polícia Federal concede dez vistos por dia, mas necessitamos de cerca de 100 diários, porque todos os dias chegam mais imigrantes e saem poucos (com direção a outras cidades do Brasil). Temos que voltar à situação normal de no máximo 200 imigrantes no abrigo", disse.

O governador do Acre, Tião Viana, alegou que a administração regional não tem capacidade para seguir atendendo a situação e necessita de ajuda do Governo federal.

Segundo o governador, o Acre gastou nos últimos dias cerca de R$ 3 milhões com a ajuda aos imigrantes, enquanto o Governo do Brasil não forneceu nem 1/5 desse valor.

Os imigrantes chegam ao Brasil através da fronteira com a Bolívia e após passar pelo Peru e Equador.

Os primeiros imigrantes chegaram pouco depois do terremoto de começo de 2010, que deixou mais de 1,5 milhão de desabrigados no Haiti e, como as autoridades brasileiras concederam status de refugiados humanitários e autorizaram diferentes empresas a contratá-los, o fluxo aumentou.

O Governo brasileiro, no entanto, decidiu limitar a chegada de imigrantes e restringiu as autorizações a 1.200 por ano desde que fossem solicitadas no Haiti e não em território do Brasil.

Segundo os números do governo do Acre, as medidas não frearam a imigração e, após os 1.593 imigrantes recebidos até finais de 2011, o número saltou até 1.900 só no ano passado e já foi superado nos primeiros quatro meses de 2013.

"Conversei com os africanos e eles me disseram que se somaram aos haitianos no Equador, após terem passado pela Espanha. Segundo eles, no Senegal já se divulgou a informação que a nova rota é segura e que o Brasil tem a porta aberta para os imigrantes", afirmou Mourão.

O senador Jorge Viana alertou na segunda-feira, em discurso no Congresso, que pelo menos quatro grupos criminosos organizados promovem um tráfico de pessoas em rotas que começam em Porto Príncipe e passam pelo Panamá, Equador, Peru e Bolívia antes de chegar ao Brasil.

O governador do Acre sugeriu que o Governo brasileiro negocie com o Peru e Equador a possibilidade de exigir vistos aos haitianos que cheguem a esses países.

FONTE: YahooNoticias 

domingo, 7 de abril de 2013

Preparativos para exumação dos restos mortais de Pablo Neruda

Santiago, 6 abr (EFE).- Os preparativos para a exumação do corpo de Pablo Neruda começarão neste domingo, afim de recolher no dia seguinte os restos mortais do poeta, para que possam ser submetido a análise, que determinará se ele efetivamente morreu de câncer ou se pode ter sido assassinado.

O corpo de Neruda está sepultado em um mausoléu em Isla Negra, cidade localizada a 100 quilômetros a oeste de Santiago. Lá também está enterrada a terceira esposa do Prêmio Nobel de Literatura, Matilde Urrutia.

Os túmulos recebem milhares de visitas anualmente, mas ficará fechado a partir da tarde deste domingo, e como é habitual, nesta segunda-feira, para que as equipes de exumação possam atuar.

Será montada uma tenda para realizar o trabalho, e as equipes precisarão utilizar trajes especiais, diante da possível presença de substâncias tóxicas. Cinco especialistas do Serviço Médico Legal local, quatro peritos da Universidad de Chile e mais quatro analistas internacionais executarão a exumação.

Entre eles está o médico legista Francisco Etxeberría, que dois anos atrás participou da exumação do ex-presidente Salvador Allende. Três observadores internacionais acompanharão os trabalhos, além do presidente do Partido Comunista chileno, Guillermo Teillier, um dos sobrinhos do poeta, Rodolfo Reyes, e o antigo motorista de Neruda, Manuel Araya.

Foi justamente Araya que, em 2011, levantou pela primeira vez a hipótese de Neruda ter sido assassinado, em uma entrevista, o que levou ao Partido Comunista, apresentar em maio uma denúncia, que deu início a investigação judicial.

Após realizar várias diligências, o juiz Mario Carroza, da Corte de Apelações de Santiago, decidiu em fevereiro que seria preciso desenterrar os restos do autor de "Vinte poemas de amor e uma canção desesperada" para esclarecer as causas de sua morte.

Até agora, a versão oficial indicava que Neruda morreu em uma clínica privada de Santiago, devido a um câncer que combatia há anos. A morte aconteceu no dia 23 de setembro de 1973, exatos 12 dias depois do golpe de Estado liderado por Augusto Pinochet.

O motorista, no entanto, sustenta que a morte aconteceu por causa de uma injeção que aplicaram naquele dia em Neruda, que tirou sua vida em poucas horas. Tudo, dias antes de uma viagem programada para o México, onde o poeta se exilaria. Neruda "era uma figura muito perigosa para Pinochet, por todo o prestígio internacional que tinha", disse Araya à Agência Efe.

Várias figuras importantes da história recente do país também tiveram seus restos mortais exumados nos últimos anos, para esclarecer as causas de morte. No caso de Allende, foi confirmado o suicídio, durante bombardeio ao Palácio La Moneda.

Por outro lado, no caso do ex-ministro José Tohá, exumado em 2012, foi determinado que não houve suicídio, mas sim morte causada por estrangulamento ou enforcamento, enquanto estava internado no Hospital Militar de Santiago, em 1974.

O juiz Carroza, em suas diligências, descobriu que em nenhum dos três hospitais em que Neruda foi atendido em 1973, foram conservados seus relatórios médicos, apesar de existirem leis no país que obrigam a conservação por 40 anos. Além disso, o magistrado teria tido dúvidas sobre a real identidade de um médico que teria dado uma injeção de analgésicos naquele dia.

"Haverá uma análise antropológica e médica. Se construirá um perfil biológico e serão avaliados os estados dos restos. Além disso, serão recolhidas mostras com as quais serão feitos exames toxicológicos", indicou o diretor do Serviço Médico Legal, Patrício Bustos, ao jornal chileno "La Tercera". 

FONTE: YahooNoticias - EFE

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Grande grileiro no Pará é herói no Paraná


Credito foto: Google
O trecho da BR-277 entre as cidades de Paranaguá e Curitiba, no Paraná, é um dos mais importantes do sul do Brasil. Ele passará a se chamar Rodovia Cecílio do Rego Almeida. Se for aprovado em instância final um projeto apresentado em 2009 pelo deputado federal André Vargas, do PT paranaense, que é vice-presidente da Câmara dos Deputados.

A iniciativa se transformará em lei graças ao voto dado na Comissão de Constituição e Justiça por outro petista paranaense, o deputado José Mentor, se nenhum parlamentar impedir a sanção do projeto. Mentor se tornou famoso pelo seu confuso relatório sobre o escândalo das lavagens de dinheiro através do Banestado, banco igualmente paranaense. O deputado petista disse ter proposto a “justa homenagem”, em reconhecimento ao “trabalho” do empresário, que “foi perseverante em seu objetivo”

A Construtora C. R. Almeida, uma das maiores empreiteiras do país, doou 2,3 milhões para candidatos petistas na eleição de 2010. A empresa foi uma das envolvidas nos escândalos da concorrência fraudulenta da Ferrovia Norte-Sul nos anos 1980. Por feliz coincidência, a Rodovia Cecílio do Rego Almeida será administrada pela própria C. R. Almeida, que já detém. a concessão de exploração do pedágio desse trecho, através da EcoRodovias, da qual possui 64% das ações.

O homenageado era paraense, nascido em Óbidos. Aos sete anos se transferiu para o Paraná, onde fundou e comandava o grupo C. R. Almeida, constituído por mais de 30 empresas que atuam nas setores de construção pesada, concessão de rodovias e logística de transporte, química e explosivos Cecílio morreu em 2008, aos 78 anos.

No último dia 13 de março eu contribuí com pouco mais de 25 mil reais para a fortuna da família. Esse dinheiro não era propriamente meu: foi obtido através de coleta pública nacional pela internet. Eu bem que gostaria de usá-lo no meu Jornal Pessoal, quinzenário que circula em Belém do Pará há mais de 25 anos. Daria para custear um semestre inteiro do jornal, em formato ofício, com 12 páginas e tiragem de dois mil exemplares.

Credito foto: Google
Ao invés disso, vai se destinar aos sucessores e herdeiros do empresário glorificado pelo PT do Paraná. Corresponde à indenização que a justiça do Pará me obrigou a pagar, no desfecho de uma ação que ele iniciou em 2000. Alegou ofensa à sua honra pessoal por eu o ter chamado de pirata fundiário, em artigo publicado no meu pequeno jornal. Na época, cobrou R$ 4 mil como reparação pela sua honra ofendida. O valor final, de R$ 25 mil, decorreu da correção monetária e dos acréscimos do processo.

A história já é conhecida e a relembrei em outro artigo que escrevi nesta coluna, Se eu, outros jornalistas e alguns servidores públicos, dentre os quais procuradores estaduais e federais e, infelizmente, apenas juízes federais (os estaduais ficaram ao lado do pirata fundiário), Cecílio Almeida teria se apropriado de uma área de terras públicas com sete milhões de hectares.

Considerando-se por base um preço abaixo do praticado na região do Xingu, onde se situa a grilagem do empresário, de R$ 5 mil o hectare, a “Ceciliolândia” valeria 35 bilhões de reais. Claro: valor que sairia do patrimônio público do Pará e iria para os cofres de C. R. Almeida, já que nunca essas terras saíram legalmente do domínio do Estado para o patrimônio privado, a não ser pela apropriação ilícita absurda e monumental. Nada menos do que a maior grilagem de toda a história da humanidade. Pelo menos no Pará, o único título concedido ao empresário Cecílio do Rego Almeida, pela Assembleia Legislativa do Estado, foi a de persona non grata.

País imenso e, de certa forma, incompreensível este nosso. O homem que é tratado como herói pelo PT do Paraná, é apontado como malfeitor pelo PT do Pará, Estado, aliás, onde o personagem nasceu e que deixou quando ainda era menino. Mudou-se de vez para o Paraná, onde criou seu império e para ele atraiu os petistas que o homenagearam.

Com quem está a verdade e a razão?


terça-feira, 2 de abril de 2013

A Berlim de Brecht: um roteiro pelos bastidores do teatro épico

Casa do autor e o teatro Berliner Ensemble estão abertos a visitação; ingressos para peças custam entre cinco e 30 euros


Por, Roberto Almeida | Berlim

Roberto Almeida/Opera Mundi
Casa de Bertolt Brecht permanece intacta e está aberta para visitação do público

Foram apenas três anos vividos no número 125 da Chausseestrasse, de 1953 a 1956, mas a presença do dramaturgo e poeta Bertolt Brecht marcou definitivamente o endereço, no centro da antiga Berlim Oriental. A casa ampla, em três quartos, permanece intacta, assim como seus objetos pessoais. A decoração Bauhaus, austera, encontra motivos japoneses e oferece espaço para contemplação.

Sob as janelas grandes e luminosas, Elke Pfeil, especialista em Brecht e teatro, guia o visitante com detalhes sobre cada um dos objetos, irretocáveis em sua conservação. As hoje silenciosas máquinas de escrever, as máscaras de teatro japonês, uma foto de Lênin, a coleção de jornais antigos do Partido Social-Democrata alemão (SPD) e a longa fileira de livros com historietas policiais, paixão que partilhava com o filósofo Walter Benjamin.

“Estou agora vivendo na Chausseestrasse, perto do cemitério francês, onde generais huguenotes e Hegel e Fichte estão enterrados; todas as minhas janelas dão para o cemitério”, escreveu Brecht ao amigo Peter Suhrkamp, seu editor em Berlim Ocidental, em março de 1954.

Roberto Almeida/Opera Mundi
Brecht foi enterreado no mesmo cemitério que Hegel e Fichte, seus ídolos, ao lado de sua mulher

O autor, adepto de romances furtivos, também adorava os móveis antigos da casa e tinha carinho especial pelas cadeiras dinamarquesas, confortáveis e com assentos em couro. A Dinamarca foi seu primeiro destino após o incêndio no Reichstag, em 1933, que acabou virando definitivamente a mesa da política alemã para o lado de Adolf Hitler e passou a colocar sua vida em risco.

Mesmo antes da ascensão nazista, o autor já era conhecido pela montagem da Ópera dos Três Vinténs (1928), orquestrada por Kurt Weil e baseada no texto de John Gay (1728). A despretensiosa estreia berlinense da peça, naquele mesmo ano, fez um sucesso estrondoso e imortalizou personagens como o criminoso Mackie Messer (ou Mack the Knife, na versão original) e a senhorita Peachum.

A realidade, porém, empurrou-o para o exílio ao lado da mulher, a atriz Helene Weigel, com quem estava casado desde 1929. “Mudamos de país mais do que de sapatos”, lamentava Brecht, que não conseguia experimentar nos palcos o tanto quanto gostaria. Os períodos na Dinamarca, na Suécia, na Finlândia e nos Estados Unidos, para onde se mudou em 1941, nunca impediram sua produção, mas desaceleraram sua carreira.

Roberto Almeida/Opera Mundi
Objeto de trabalho, máquina de escrever do poeta ainda está guardada na sua residência

Como resultado, o teatro épico de Brecht, com sua quebra de paradigma, fincada na motivação social e no princípio do estranhamento, precisou esperar o fim da Segunda Guerra Mundial para se desenvolver plenamente. O epicentro dessa revolução nos palcos estava a poucos minutos de caminhada da casa da Chausseestrasse.

O Berliner Ensemble, teatro fundado em janeiro de 1949 e dirigido por Helene Weigel, conserva até hoje a forte logomarca, também de inspiração Bauhaus, girando em seu topo. A casa de espetáculos brilha na área próxima à chamada ilha dos museus de Berlim, em frente ao rio Spree, com programações diárias em alemão. São comuns montagens das peças de Brecht, com ingressos bastante em conta.

O tour pelo teatro, organizado pelo ator holandês Werner Riemann, é imperdível e custa apenas dois euros (cerca de R$ 5). Mesmo quem arranha no alemão e conhece um pouco sobre Brecht consegue captar a essência do passeio, com duas horas e dezenas de histórias. Riemann é um personagem incrível da companhia, com mais de cinco décadas de trabalho dentro do Berliner Ensemble. Sua energia e memória são impressionantes. 

Com seus olhos azuis claros e sobrancelhas louras, aos quase 80 anos, o ator revela curiosidades da construção do teatro, como o uso de peças de tanques de guerra alemães, os Panzers, para montagem da estrutura giratória do palco, assim como os lugares cativos de Brecht e Helene Weigel na plateia e o significado das salas especiais, com máscaras em gesso dos principais atores que passaram por ali.

Sucesso e despedida

O rosto de um Brecht ainda jovem, bem no centro da coleção de máscaras, é uma homenagem ao autor que teve sua genialidade reconhecida nos palcos do Berliner Ensemble com a primeira montagem alemã de Mãe Coragem e Seus Filhos, em 1949, ano de abertura da casa. A peça antifascista, escrita em 1939, ano do início da Segunda Guerra, é um dos símbolos do ideário contra o nazismo e referência do teatro épico.

Roberto Almeida/Opera Mundi
Máscara do rosto de Brecht, dos seus tempos de juventude

Poucos anos depois, em 1956, o autor morreria na casa da Chaussestrasse de um ataque cardíaco fulminante e seria sepultado no cemitério ao lado - o mesmo descrito na carta ao editor dois anos antes - perto de seus ídolos Fichte e Hegel. Ele tinha apenas 58 anos. Helene Weigel continuou morando ali até sua morte, em 1971. Seus livros de receitas húngaras ainda hoje forram as estantes da cozinha simples.

O Berliner Ensemble, que Helene dirigiu por toda a vida, experienciou altos e baixos sob o controle do governo comunista da Alemanha Oriental. Até sua morte, Brecht tinha proteção e privilégios do SED, o partido comunista alemão, como acesso a jornais ocidentais, carro com motorista e empregados. O muro só seria construído cinco anos após sua morte. Ele nunca se filiou.

Após a queda do muro, o teatro passou a ser gerido por um time de diretores. As peças de Brecht não são as únicas a serem encenadas, mas fazem parte dos programas mensais. Os ingressos custam entre cinco e 30 euros. Todas as montagens são em alemão.


FONTE: OperaMundi